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Cardeal Dom Orani sobre a Assunção de Nossa Senhora



Neste final de semana nos alegramos com a celebração de uma festa Maria: celebramos a Assunção de Nossa Senhora aos céus, que é comumente celebrada no dia 15 de agosto, mas transferida para o final de semana para que assim possa ter uma maior participação dos fiéis e assim seja celebrada com maior solenidade. A Assunção de Maria nos mostra a direção de nossas vidas, mostra que não temos aqui morada permanente, mas procuramos viver a nossa vida cristã servindo os irmãos, procurando viver melhor cada dia de nossa vida de conversão até o dia de contemplarmos o Senhor face a face. Desde os primeiros séculos do Cristianismo até a proclamação do dogma em 1950 pelo Papa Pio XII, que assim proclama: “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos S. Pedro e S. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial (Munificentissimus Deus, 44),”  celebração desta festa, da Assunção ou Dormição de Maria, nos indica e incentiva o caminhar para nossa meta final.

Estamos concluindo a semana nacional da família e neste final de semana do mês vocacional estamos rezando pela vida consagrada, por todos aqueles nossos irmãos na fé que tem por vocação específica ser sinais do reino futuro através da vivência dos votos de pobreza, obediência e castidade. Esta ocasião deve nos fazer recordar nossa vocação à santidade, nossa vocação à vida eterna e nossa pertença ao Reino de Deus. Mesmo sabendo de nossas fragilidades, o Senhor vem ao nosso encontro, nos purifica e restaura as nossas vidas com a ação da sua Graça. Hoje, além de homens e mulheres que se consagram a Deus, temos também a realidade de casais que se consagram a Deus, que além e sua vida matrimonial, entregam de maneira especial essa vivência aos planos do Senhor.

A Palavra de Deus dirigida nesta solenidade é uma palavra que vai mostrar aquilo que Maria viveu intensamente em sua vida. No Evangelho (Lc 1,39-56), apresenta o texto da visitação de Maria a sua prima Santa Isabel, sendo já portadora do Verbo de Deus em seu seio. Maria vai para servir e ali revelam-se grandes realidades sobre a ação de Cristo em meio aos homens. João já reconhece a presença de Jesus saltando no ventre de Isabel. Isabel já proclama as maravilhas de Deus realizadas na vida de Maria, reconhecida como Mãe do Senhor! É aí que temos o belo e profundo canto do Magnificat, onde Maria dá graças a Deus pelas maravilhas realizadas nela e proclama o poder de Deus. A presença de Cristo traz alegria para vida de todos aqueles que o acolhem. Assim devemos também renovar a vida do mundo sendo portadores da vida de Deus. Num mundo cansado e triste, o cristão vive com os pés neste mundo, mas com o coração elevado aos céus, o cristão é chamado a ser portador das maravilhas da ação de Deus.

Na primeira leitura, tirada do Livro do Apocalipse (Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab), em que fala da batalha entre a Mulher e o dragão, assim como Maria está para trazer ao mundo Cristo de Deus, assim somos nós a vida da Igreja: gerar no mundo a presença de Deus. Assim como Maria vive sua vida dedicada ao serviço tendo em vista a glória dos céus, nossa pátria definitiva.

Na segunda leitura (1Cor 15,20-26.28), São Paulo aos Coríntios vai nos recordar que Cristo Ressuscitado é primícias do que há de acontecer conosco quando adentrarmos na Glória. Cristo que vende o pecado, vence a morte, vence a maldade no mundo! Em Cristo todos tem a vida. Para sermos possuidores da herança que nos é dada, também devemos passar pelas lutas da vida, mas confiando do Senhor e em sua ação na história, esse Senhor que nos escolheu para estarmos em sua presença. Tudo é dom e tudo é Graça do Senhor.

A presente solenidade é, então, primeiramente, exaltação da glória do Cristo: Nele está a vida e a ressurreição; Nele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do Batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando Cristo nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!”.

Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada a glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou!

Grandes momentos que servem para a nossa reflexão e que querem incentivar a nossa participação em nossas celebrações, mesmo com as limitações que temos, que possamos viver intensamente e de coração aberto essas celebrações. Que sejamos gratos pelo Dom do Senhor dado às nossas vidas. A Assunção de Maria nos aponta o caminho a se chegar e Ela caminha conosco nessa caminhada para a morada definitiva. Rezemos por todos os nossos religiosos e por todos os que são chamados por Deus para que sejam sustentados em sua vocação. Deus abençoe e guarde a todos!

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